Fogos levam psicólogos do INEM ao terreno

Equipa saiu quatro vezes em dois dias para evacuações e apoiar vítimas do fogo

O pânico e o stress gerados pelos violentos incêndios das últimas semanas já levaram os psicólogos do INEM a intervir no terreno quatro vezes.

Os técnicos foram ajudar a evacuar populações e apoiar pessoas que perderam familiares ou colegas no fogo. As quatro intervenções ocorreram em apenas 48 horas. Os bombeiros lamentam que este apoio seja apenas pontual e não abranja as corporações.

No dia 10, a equipa móvel do Centro de Apoio Psicológico e Intervenção em Crise (CAPIC) do INEM foi accionada para Carrazeda de Ansiães, onde uma criança de 12 anos morreu encurralada pelo fogo num palheiro. Os técnicos acompanharam os familiares na recepção da notícia, prestando-lhes apoio psicológico.

No mesmo dia, a equipa do Norte foi ainda chamada para Gondomar, onde uma bombeira da corporação de Lousada morreu quando a viatura em que seguia foi apanhada pelo fogo.

Neste acidente houve ainda outros feridos e o facto de a morte ter ocorrido numa acção de combate e socorro justificou ainda mais a acção dos psicólogos.

No local, a equipa médica confirmou que os colegas de Josefa Santos estavam em situação de stress por terem presenciado a sua morte, disse ao DN fonte do INEM.

Por um motivo semelhante, no dia anterior, o CAPIC foi accionado para São Pedro do Sul. Quando fugia duma frente de fogo, a viatura dos bombeiros de Alcobaça despistou-se e um ocupante teve morte imediata.

O médico de serviço do INEM considerou que o potencial trauma exigia o apoio de psicólogos e accionou a equipa.

Além destes episódios relacionados com a morte em combate, a equipa do INEM foi ainda accionada no dia 10 para ajudar a evacuar a vila do Gerês, quando o fogo ameaçou a segurança das pessoas.

O INEM explicou ao DN que esta equipa é accionada pelo médico de serviço nos centros de orientação d e doentes urgentes (CODU) que avaliam a necessidade da intervenção psicológica.

E que as equipas só são chamadas quando há no terreno condições para conversar com as vítimas. Algo que não se verifica, por exemplo, numa situação de caos.

A Liga dos Bombeiros Portugueses lamenta que este apoio psicológico seja apenas pontual e que as corporações não tenham um serviço médico que preste este auxílio “essencial”.

Duarte Caldeira disse ao DN que há apenas alguns psicólogos da Protecção Civil, que não seguem os casos, e que as corporações têm de se valer dos seus meios, bem como os bombeiros. “Mas o mais comum é o mal ficar adormecido dentro de cada um.”

Fonte: DN

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