Bombeira ficou ferida a combater incêndio

Olga Marques e outros elementos da corporação viveram momentos de pânico ao serem cercados pelas chamas em Ponte de Lima.

O grupo de bombeiros de Coimbra que apoiou o combate ao incêndio de Ponte de Lima, na segunda-feira passada, viveu momentos de grande aflição quando se viu cercado pelas chamas e em terreno desconhecido destes soldados da paz.

Apesar do susto, apenas um dos elementos dos Bombeiros Voluntários de Brasfemes ficou ferido com alguma gravidade, sofrendo queimaduras de terceiro grau no braço, e uma viatura ficou ligeiramente danificada.

«O fogo é muito perigoso, mas o vento é o nosso principal inimigo no terreno», explicava o comandante da corporação, Acácio Monteiro.

Olga Marques, residente na Lousã, bombeira com larga experiência no combate a incêndios, foi assistida no Hospital de Viana do Castelo, teve alta no próprio dia e está a receber tratamento para a queimadura, adiantou o responsável, sublinhando o perigo que correram os bombeiros do Grupo de Reforço de Incêndios Florestais (GRIF) de Coimbra, que tinham seguido numa coluna de reforço para Ponte de Lima naquele dia.

«Viram-se cercados, o fogo estava a ser combatido em situações muito adversas.

Em segundos o vento mudou e as chamas altas que estavam a cerca de 100 metros cercaram um grupo de seis bombeiros», referiu Acácio Monteiro, que acompanhou a situação à distância, uma vez que não estava no local.

De acordo com o comandante, o GRIF que seguiu para aquele incêndio, com cerca de 26 bombeiros – dos Voluntários de Coimbra, de Brasfemes, de Coja, Condeixa, Penela e Mira –, quatro viaturas de combate a incêndios florestais, dois auto-tanques e uma viatura de comando, era comandado pelo adjunto de comando de Brasfemes, Rui Gonçalves.

Com 49 anos de idade e 32 de bombeiro, Rui Gonçalves está ainda consternado com o episódio de segunda-feira. Esteve no meio do cerco e, «em minutos que parecerem longas horas», pensou que a sua vida e dos colegas ficaria por ali.

Não teve a ver com experiência ou técnica – essas têm-nas –, mas com a natureza. «Atraiçoou-nos», disse ao Diário de Coimbra, explicando que «o incêndio estava já controlado a favor dos bombeiros e que nada fazia prever mudança tão repentina nos ventos».

Com os poucos meios que detinha, uma viatura e seus cinco ocupantes e mais o próprio adjunto de comando, conseguiram lutar contra as chamas, até chegarem ajudas de outras corporações.

«O nosso motorista furou pelo meio do fumo e conseguiu pedir socorro», refere Rui Gonçalves, ainda mal refeito do susto.

Comandante fala em “milagre”

«Só um milagre para se terem salvo sem grandes ferimentos», refere o comandante Acácio Monteiro, lembrando que os bombeiros ainda se preocuparam em retirar a viatura do cerco de chamas.

«A temperatura era tão alta que provocou a queimadura à bombeira, que usou o braço com o instinto de proteger mais a cara. São bombeiros experientes e que já viveram muitas situações de perigo, mas acredito que nunca tão grave».

O grupo de Coimbra foi desmobilizado ainda na segunda-feira, mas o incêndio que lavrava na região também acabaria por ser controlado nessa altura.

Acácio Monteiro garante que a voluntária de Brasfemes está bem e que, como os outros, não desistirá da sua missão. «É uma luta dura e constante, mas não nos deixamos ir abaixo, porque acreditamos na causa do voluntariado», sublinha o comandante, lamentando que as estruturas e organismos de cúpula portugueses teimem em «não dar o devido reconhecimento ao trabalho dos bombeiros voluntários, ano após ano».

Incêndios deram tréguas

Depois de várias semanas de combate a incêndios em todo o país, os bombeiros puderam ontem finalmente descansar.

Com as temperaturas a descer e mesmo com aguaceiros em algumas regiões, ontem foi o dia mais calmo de Agosto, com 124 deflagrações registadas até às 15h00 e apenas 14 incêndios em curso à mesma hora, sendo os de Vila Chã (Vila Pouca de Aguiar) e de Vilares (Paredes de Coura) os mais preocupantes.

Fonte: Diário de Coimbra

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