Mulher trucidada por comboio na Cruz Quebrada

Acabou em tragédia um passeio de três mulheres idosas a Cascais. Ao chegarem à estação de comboios da Cruz Quebrada, Oeiras, uma delas acabou… trucidada ao atravessar a linha e as outras duas, cunhadas e residentes em Queijas, conseguiram salvar-se.

Distracção, pressa e a deficiência auditiva de uma das mulheres, com idades entre os 74 e os 89 anos, terão sido os motivos fatais para a tragédia que começou a desenrolar-se pouco depois das 10.30 horas de ontem, quinta-feira.

Henriqueta Espírito Santo, de 84 anos, foi a primeira a atravessar a linha, na passagem destinada aos peões. A cunhada, Maria Manuela, de 74 anos, e Elisa Ribeiro, de 89 anos, ficaram para trás, a comprar os bilhetes. Saíram apressadas para encontrar Henriqueta e não viram que, pela esquerda, se aproximava perigosamente um comboio sem paragem.

Elisa Ribeiro foi brutalmente colhida. Maria Manuela Espírito Santo ainda tentou puxar Elisa, mas tropeçou e acabou por bater com a cabeça no gradeamento de salvaguarda dos peões (guarda-corpos). Foi transportada para o Hospital S. Francisco Xavier, em Lisboa, com um traumatismo craniano, mas está livre de perigo.

Henriqueta assistia horrorizada à morte da amiga e à queda da cunhada, tendo recebido apoio psicológico no local por uma equipa do INEM. “Estava completamente desorientada e em choque, coitada”, contou Manuel Vaz, que chegou à estação instantes após o acidente. “Ninguém está preparado para ver um cenário destes. Foi horrível. Fiquei com o estômago revirado”, acrescentou.

Elisa Ribeiro foi colhida a 90 quilómetros/hora por um comboio rápido que tinha partido do Cais do Sodré, em Lisboa, com rumo a Cascais. Parou apenas em Algés e seguia directo até ao fim da linha. Vinha cheio de jovens e crianças com destino às praias da Linha. Ninguém foi autorizado a sair da composição para resguardar os miúdos de um quadro aterrador. Contudo, uma mulher adulta teve que ser assistida pelos bombeiros devido a uma crise nervosa.

De acordo com uma fonte da Refer, o maquinista apercebeu-se da presença das idosas “e apitou repetidamente”. A mesma fonte lamentou o acidente e lembrou que a visibilidade é muito boa, sendo possível avistar o comboio a 100 metros de distância.

“Pare, escute e olhe, são as regras básicas. As pessoas têm que cumprir escrupulosamente estas regras. Nós temos feito campanhas de forma insistente e lamentamos obviamente este tipo de acidentes”, frisou a mesma fonte.

Pedro Quaresma, uma das muitas pessoas que utiliza com regularidade a estação da Cruz Quebrada, argumenta, no entanto, que os comboios deveriam apitar com mais antecedência. “Eles apitam à saída da ponte, no sentido Lisboa-Cascais, por exemplo, mas demoram escassos segundos a passar na estação se forem os rápidos. À velocidade que passam e se a pessoa estiver distraída, não se safa mesmo”, garantiu.

Ainda de acordo com Pedro Quaresma, que também assistiu ao aparato que se seguiu ao acidente das três mulheres, os comboios que vêm de Cascais só apitam numa curva pouco antes da estação, o que também “não deixa margem” para quem não olhe com atenção. “Eu nunca passo na frente ou na traseira de um comboio e fico em sobressalto quando vejo as pessoas fazerem isso. Muitas vezes, chamo a atenção”.

Carlos Jaime é comandante dos Bombeiros Voluntários do Dafundo há cerca de uma década e está há mais de 30 ligado à corporação. Garante que já viu muitos acidentes do género e assegura que o balanço só deixou de ser tão negro há seis anos, altura em que a estação da Cruz Quebrada passou a ter guarda-corpos.

“Têm poupado muitas vidas. Foi uma solução de protecção muito eficaz”, sublinhou, acrescentando, porém, que este é o terceiro caso mortal na região nos últimos dois meses. “Há um mês houve um homem que se salvou por milagre. Ficou entre o cais e o comboio. Estivemos mais de uma hora a fazer manobras para o retirar debaixo da composição”.

Para o comandante, este foi um caso de “distracção total” que terminou da pior forma. “O guarda-corpos obriga a pessoa a fazer um percurso em forma de um ‘L’, o que dá tempo para olhar e prestar atenção”, rematou.

Fonte: JN

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