Ambulâncias do INEM têm tecnologia que não é usada

As ambulâncias do INEM possuem tecnologia de ponta que não está a ser usada. Todas têm monitores integrados nos tabliês que nunca foram activados

e há muitas dezenas de computadores portáteis, adquiridos a 2500 euros cada, que estão encostados.

No âmbito de um concurso público, adjudicado em 2005, foram compradas várias dezenas de computadores portáteis, altamente sofisticados e ultra-resistentes ao choques.

A ideia era colocá-los nas ambulâncias para receber do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), via informática, o registo clínico do doente e, ainda, numa fase posterior, para passar informação ao hospital de destino, através de um site interno.

Cada computador custou 2500 euros. Nunca entraram nas ambulâncias. A informação é passada por telemóvel.

Confrontado com a questão, o presidente do Sindicato dos Técnicos de Ambulância e Emergência (TAE) confirma. ?Esses computadores, e ao que sei eram 500, nunca entraram nas ambulâncias?, garante Ricardo Rocha.

Outras fontes ligadas ao processo do concurso público, disseram ao JN que os computadores ?encostados? são 120. Pelas contas destas fontes, só estes equipamentos custaram mais de 300 mil euros. O INEM não se pronunciou. Não confirmou nem desmentiu se os computadores estão parados e não precisou quantos são.

Para além dos computadores, o concurso público adjudicado pela anterior administração, em Novembro de 2005, permitiu a compra de um conjunto de soluções tecnológicas para agilizar e diminuir o erro na actividade do INEM. No entanto, apesar dos equipamentos e dos “software” existirem, muitos dos sistemas não estão a ser usados.

Nas ambulâncias foram instalados monitores – denominados Terminais Móveis Embarcados – que serviriam para receber as ocorrências e calcular as rotas de destino através de GPS, de forma a evitar perdas de tempo com enganos na estrada. Isto, se funcionassem. As fontes contactas pelo JN, garantiram que os monitores nunca foram activados.

Ou seja, actualmente, as ambulâncias só têm GPS se os tripulantes os comprarem. Se não, funciona tudo à antiga: roteiros, mapas e até abrir a janela para perguntar onde fica determinada rua.

A direcção do INEM diz que monitores já estiveram em funcionamento, mas que ?houve necessidade de suspender a utilização? devido a alterações ?da aplicação informática do CODU?. Acrescenta que já começaram os testes com a nova aplicação em algumas ambulâncias e os restantes irão sendo actualizados.

Mas as dificuldades tecnológicas não ficam por aqui. O sistema de geo-referenciação das viaturas que permite ao CODU receber, quase em tempo real, a localização das ambulâncias, encaminhando para a ocorrência a que está mais próxima, também não está a funcionar em pleno.

O JN apurou que a maioria dos veículos do INEM – mais de 200 nos bombeiros e cem novas ambulâncias e viaturas médicas – não estão actualmente a enviar para a central a localização exacta, apurou o JN. Assim, tal como antigamente, o CODU chama os meios pela área de influência, sem saber efectivamente quem está mais perto. A falha, soube o JN junto de fonte interna , estará relacionada com uma recente alteração do operador móvel que fornece os cartões GPRS.

A direcção do INEM rejeita que o novo contrato com a Vodafone não inclua os cartões GPRS e adianta que estão a ser colocados no Norte. No Centro e Sul “já estão a funcionar há bastante tempo”, assegura.

De facto, o sistema de geo-referenciação dos meios começou a ser instalado no início de 2008 e a ideia era alarga-lo a todo país até Junho de 2009. Um ano depois do prazo prometido pelo INEM, a aplicação continua a funcionar a meio-gás.

Fonte: JN

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